A Solidão do Topo: quando o sucesso vira isolamento
- Catia Tamanini
- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Existe um paradoxo no coração de muitas histórias de sucesso que raramente é discutido abertamente. Quanto mais você sobe, mais sozinho fica.
Não necessariamente no sentido social, muitos líderes de alto nível têm agendas superlotadas, são cercados de pessoas o tempo todo. A solidão de que falo é diferente.
É a solidão de não ter com quem ser completamente honesto. Com a equipe, você não pode mostrar a dúvida, eles precisam de direção segura.
Com os sócios, você não pode mostrar o medo, podem interpretar como fraqueza. Com a família, você não quer mostrar o peso, não quer preocupá-los. Com os amigos de fora do trabalho, eles não entendem completamente o contexto.
E assim vai se construindo um isolamento sofisticado. Uma competência de aparência que esconde uma solidão real. O psicólogo e professor de Harvard Robert Kegan, em seu trabalho sobre o desenvolvimento adulto, descreve o que chama de "socializing mind" , a mente que define seu valor pelo que os outros pensam dela. É um estágio de desenvolvimento que muitos adultos nunca superam completamente.
Para líderes, isso se manifesta na incapacidade de separar quem são de o que fazem e do que as pessoas pensam deles. Quando tudo vai bem, a identidade está preservada. Quando algo falha, a identidade inteira ameaça desmoronar. É nesse espaço que a mentoria executiva atua, não como coaching de performance, mas como processo de desenvolvimento de uma identidade mais sólida e menos dependente de validação externa. O objetivo não é tornar o líder imune às opiniões alheias. É ajudá-lo a distinguir quem ele é do que ele faz. A ter uma relação com si mesmo que não seja inteiramente mediada pelo cargo. Porque líderes que se conhecem profundamente, que têm acesso a seus próprios medos, motivações e padrões, tomam decisões melhores. Constroem relações mais autênticas. Criam culturas onde as pessoas se sentem seguras para ser honestas. E, paradoxalmente, lideram com muito mais impacto do que aqueles que passaram a carreira inteira performando uma versão invulnerável de si mesmos.




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