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A Ansiedade Como Mensageira: o que ela realmente quer nos dizer

  • Foto do escritor: Catia Tamanini
    Catia Tamanini
  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

Vivemos numa cultura que trata a ansiedade como adversária. Queremos que ela vá embora. Rapidamente. Com o mínimo de inconveniência possível. E o mercado atende essa demanda com eficiência: aplicativos de meditação, suplementos, técnicas de respiração, ansiolíticos. Nada disso é necessariamente errado.

O problema é quando essas ferramentas se tornam formas sofisticadas de silenciar um mensageiro sem ler a mensagem.

A ansiedade tem uma função evolutiva precisa. Ela é a resposta do sistema nervoso a uma ameaça percebida, real ou imaginária. O corpo libera cortisol e adrenalina, os sentidos aguçam, os músculos se preparam para lutar ou fugir.

Esse sistema nos manteve vivos por milênios. O problema é que o mesmo sistema que nos protegia de predadores agora dispara diante de um e-mail não respondido, de uma reunião difícil, de uma conta no vermelho, de uma relação que está se deteriorando em silêncio. O corpo não distingue ameaça real de ameaça percebida. E quando a percepção de ameaça é constante, como é para a maioria dos profissionais de alta performance hoje, o sistema nervoso não tem tempo de se recuperar entre um disparo e outro.

É o que chamamos de disautonomia: o sistema nervoso perdeu a capacidade de alternar adequadamente entre o modo de ativação e o modo de repouso.

Os Florais de Bach, desenvolvidos pelo médico inglês Edward Bach na década de 1930, partem de uma premissa que a medicina integrativa valida cada vez mais: estados emocionais não resolvidos se manifestam no corpo físico. Bach identificou 38 estados emocionais, entre eles o medo, a incerteza, o esgotamento, a hipersensibilidade, e criou preparados florais para tratar cada um deles. Não os sintomas. Os estados. Quando trabalho com alguém em processo de ansiedade crônica, a primeira investigação não é sobre os episódios em si. É sobre o padrão que os precede. O que acontece nas horas, nos dias, nas semanas antes de uma crise? Qual é o estado emocional subjacente, medo de não ser suficiente? Necessidade de controle? Dificuldade de dizer não? Essas respostas não vêm de exames. Vêm de escuta. De presença. De uma relação terapêutica onde a pessoa se sente segura o suficiente para parar de performar e começar a sentir.

A cura da ansiedade não começa quando ela some. Começa quando você para de fugir dela e pergunta: o que você veio me dizer?



 
 
 

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