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O Outono Como Mestre: o que as estações ensinam sobre viver com mais inteireza

  • Foto do escritor: Catia Tamanini
    Catia Tamanini
  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

Existe uma inteligência nas estações que as culturas tradicionais sempre reconheceram e que a modernidade insiste em contornar.

Nós inventamos o ar-condicionado, o aquecimento central e a iluminação artificial precisamente para não precisarmos nos adaptar aos ciclos naturais. E ao fazer isso, perdemos algo que vai muito além do conforto físico: perdemos o ritmo.

O ritmo que a natureza nos oferece gratuitamente, se estivermos dispostos a prestar atenção. O outono, em particular, é uma estação que faz perguntas.

Enquanto o verão convida à expansão, luz, movimento, abundância, exterioridade, o outono convida ao recolhimento. Às folhas que caem. Ao que precisa ser soltado para que a energia se concentre nas raízes. As culturas indígenas das Américas , incluindo muitas tradições que trabalho com profundo respeito, têm cerimônias específicas para as transições sazonais. Não como superstição, mas como reconhecimento de que o ser humano é parte da natureza, não seu observador distante.

Em muitas dessas tradições, o outono é o tempo do agradecimento e do desprendimento. É quando se faz inventário: o que serviu esse ciclo? O que ficou pendente? O que precisa ser honrado antes de ser liberado? Na Naturopatia, a medicina tradicional chinesa associa o outono ao pulmão e ao intestino grosso, os órgãos da inspiração (puxar o novo) e da eliminação (liberar o que não serve). Não é coincidência que doenças respiratórias sejam mais comuns no outono: é o período em que o corpo precisa de mais atenção para essa função de troca. Mas o que me interessa aqui não é apenas a fisiologia. É a metáfora que ela carrega. O que você precisa inspirar, trazer para dentro, nesse outono? E o que precisa eliminar, liberar, desprender, soltar? Essas perguntas não são decorativas. Elas têm respostas concretas na vida de cada pessoa. Relações que já cumpriram seu ciclo.

Versões de si mesmo que o mundo ainda espera que você seja, mas que já não cabem. Medos que um dia foram proteção e hoje são prisão.

O outono não pede para você fazer isso de uma vez. Ele pede que você observe, como a árvore observa: quietamente, sem drama, com a certeza de que soltar é o caminho para florescer.



 
 
 

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