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O Poder do Agora na Vida Real: presença como prática, não como conceito

  • Foto do escritor: Catia Tamanini
    Catia Tamanini
  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

Li O Poder do Agora pela primeira vez num momento da minha vida em que eu precisava de respostas que os livros de negócios não estavam mais conseguindo me dar.

Eu tinha construído muito. Entregado muito. Gerenciado equipes, processos, crises, fusões.

E em algum momento, no meio de tanta eficiência, perdi contato com algo que não sabia nomear.


Eckhart Tolle me deu o nome.


Presença.


Não como prática espiritual distante da realidade, embora esse seja também um caminho válido. Mas como a capacidade fundamental de estar onde você está, quando você está.


Parece óbvio. Não é.


Vivemos numa cultura que glorifica a multitarefa, que confunde ocupação com valor, que tornou a distração uma norma e a presença uma habilidade rara. E é exatamente por ser rara que ela se torna extraordinária.


Tolle descreve dois ladrões de presença: o passado e o futuro. O passado alimenta o arrependimento, a mágoa, a culpa, emoções que existem exclusivamente na memória e que o ego insiste em revisitar como se revisitar mudasse algo.


O futuro alimenta a ansiedade, o medo, a antecipação catastrófica, projeções que a mente cria para tentar controlar o incontrolável. E o presente, o único lugar onde a vida de fato ocorre, fica cada vez mais estreito entre esses dois ocupantes.


Na minha prática terapêutica e de mentoria, vejo esse padrão com uma frequência que nunca deixa de me impressionar.


Pessoas extraordinariamente capazes que não conseguem estar onde estão. Que estão numa conversa, mas já na próxima reunião. Que estão num jantar, mas ainda no e-mail das 18h. Que estão com seus filhos, mas com a mente na apresentação de segunda.


O preço não é apenas pessoal. Relacionamentos se deterioram quando uma das partes nunca está realmente presente. Decisões de qualidade exigem uma mente que consegue habitar o momento com clareza.


A boa notícia que Tolle traz, e que minha experiência clínica confirma, é que presença é uma habilidade. Pode ser desenvolvida. Não de uma vez, não de forma permanente, mas incrementalmente, com prática e consciência.


O primeiro passo é simples: perceber quando você não está presente. Sem julgamento. Sem punição. Só perceber, e gentilmente, voltar.



 
 
 

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