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Os Muitos Rostos do Luto: quando perder não significa morte

  • Foto do escritor: Catia Tamanini
    Catia Tamanini
  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

A palavra luto foi sequestrada por uma única experiência: a morte de alguém que amamos. E embora esse seja, sim, o luto mais visível e reconhecido, ele é apenas uma das muitas formas que a perda pode assumir na vida humana.

Existe o luto pelo relacionamento que terminou, não apenas pela pessoa, mas pela vida que você imaginou ao lado dela. Existe o luto pela carreira que não aconteceu, pelo sonho que precisou ser abandonado, pelo filho que não veio, pela saúde que se foi. Existe o luto pela versão de si mesmo que você pensava que seria aos 30, aos 40, aos 50 anos. E existe um luto particularmente silencioso e pouco reconhecido: o luto pela vida que deu certo.

A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, em seu trabalho seminal "Sobre a Morte e o Morrer", identificou cinco estágios do luto, negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. O que muitos não sabem é que ela mesma, em seu livro final, escrito com David Kessler, expandiu esse modelo para incluir um sexto estágio: o encontro de significado.

O luto não termina na aceitação. Ele se transforma quando encontramos sentido no que perdemos. E esse processo, encontrar significado numa perda, não tem prazo. Não segue calendário. Não respeita a agenda do mundo corporativo nem a pressa da família bem-intencionada.

A abordagem integrativa que utilizo no trabalho terapêutico entende o luto como um processo que habita o corpo tanto quanto a mente. Tensão no peito, insônia, perda de apetite, fadiga inexplicável, o corpo processa o que a mente ainda não consegue nomear. Os Florais de Bach têm preparados específicos para diferentes aspectos do luto: o Star of Bethlehem para o choque e a perda, o Honeysuckle para a saudade que prende no passado, o Sweet Chestnut para o desespero profundo. Não como substituto do processo terapêutico. Como suporte ao terreno emocional enquanto o trabalho mais profundo acontece.

Se você está carregando uma perda, seja ela qual for, e o mundo tem pressa para que você já tenha superado: Você não precisa superar rápido. Você precisa atravessar com cuidado. São duas coisas completamente diferentes.



 
 
 

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