Síndrome do Pânico: o que está acontecendo no seu corpo e como o cuidado integrativo pode ajudar
- Catia Tamanini
- 3 de abr.
- 2 min de leitura
Existe uma crueldade particular na síndrome do pânico que quem não viveu tem dificuldade de compreender. Não é apenas o sofrimento do episódio em si, embora esse seja real e intenso, mas sim o sofrimento que vem depois.
Surge a vergonha, o medo de que aconteça de novo e a hipervigilância constante sobre as próprias sensações físicas. O mundo vai gradualmente encolhendo enquanto você evita cada vez mais situações que poderiam disparar um novo ataque. E, por baixo de tudo, uma pergunta que ninguém ousa fazer em voz alta: o que há de errado comigo?
A resposta honesta é que nada está errado com você, apenas algo está sobrecarregado. Do ponto de vista neurobiológico, a síndrome do pânico é uma resposta de alarme desproporcional.
O sistema nervoso, que existe para nos proteger, desenvolve uma sensibilidade exacerbada que o faz disparar respostas de sobrevivência em situações que objetivamente não ameaçam a vida.
Por que isso acontece? As causas são múltiplas e frequentemente se sobrepõem, envolvendo estresse crônico acumulado, traumas não processados, predisposição genética, desequilíbrios nutricionais ou privação de sono.
O que é consistente em quase todos os casos que acompanho é um padrão: a pessoa ficou forte demais, por tempo demais, sem espaço para processar o que acumulou.
O sistema nervoso tem uma capacidade de resiliência extraordinária, mas ela não é ilimitada. A abordagem integrativa que utilizo no trabalho com síndrome do pânico parte de três frentes simultâneas.
A primeira é a regulação do sistema nervoso, utilizando técnicas de respiração, práticas somáticas e suporte floral para criar uma base de segurança fisiológica. A segunda é a investigação da raiz, buscando entender o que está por baixo dos episódios e qual é o padrão emocional, relacional ou existencial que o pânico está tentando comunicar. A terceira é a reconstrução gradual da confiança no próprio corpo, porque um dos efeitos mais debilitantes do pânico é a relação de antagonismo que se desenvolve entre a pessoa e suas próprias sensações físicas.
O corpo não é seu inimigo, pois ele está tentando, à sua maneira, te proteger. Aprender a dialogar com ele, em vez de combatê-lo, é o que abre o caminho para uma vida mais inteira e mais livre.




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